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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Mãe Aninha Do Céu * Gilberto Cardoso dos Santos - PB

*MÃE ANINHA DO CÉU*

(Gilberto Cardoso dos Santos)





Não era minha mãe, mas aprendi a chamá-la de mãe Ana. Quando minha verdadeira mãe morreu, eu tinha menos de quatro anos. Nada entendi daquele momento. Enquanto a velavam na casinha onde – ainda não sabia eu – passaria a morar, eu brincava e ria embaixo da mesa. Alguém me repreendeu pelo comportamento irreverente, e muito chorei por isso. Dali saiu mamãe para o cemitério, e ali fiquei sob a tutela desta segunda mãe, eu, dois irmãos e uma irmã.

Minha mãe legítima também havia sido criada por ela. Ela própria nunca teve filhos. Acreditamos que fosse estéril. A ela se referiam como Dona Ana, ou Ana do finado Mané João, a quem não tive oportunidade de conhecer.

Cedo vieram as peripécias próprias de cada idade. No telhado suportado por caibros e  varas tortas, via-se um pedaço de mangueira, pouco mais de meio metro. Não estava ali para cumprir a real função para a qual havia sido feita – a de conduzir água – todavia tirava água dos meus olhos, e como tirava!

A cada ato infracional, a cada pecado, eu era instado a olhar para o alto. Mirava, para além das telhas, para o olhar severo de Deus; mas o que eu via mesmo era a mangueira que parecia hibernar á semelhança de cobras, à espera do momento de ser empunhada pela vigorosa mão de minha avó e picar-me aparentemente sem piedade. Raras vezes ela dali a retirava. Com severidade similar à dos profetas velho-testamentários, a apontava e fazia promessas nada agradáveis. Apenas isso, o mostrá-la, tinha enorme efeito sobre meus instintos rebeldes. 

Às vezes, porém – raríssimas vezes -, eu não era dono mim e cometia falhas imperdoáveis. Mesmo a casa sendo baixa, dona Ana precisava ficar na ponta dos pés, como bailarina, e estendia o braço para retirá-la. Eram instantes enlouquecedores. Se eu tentasse correr, vinha a ameaça de que a surra seria maior. Sem sair do lugar e seguro pelo braço, aguentava a primeira lamborada nas pernas. A dor era lancinante. Eu não resistia e começava a gritar pedindo misericórdia, por mais que ela ordenasse que calasse a boca. Desde a primeira vez que apanhei passei a fazer uso de um vocativo, que espontaneamente brotava do fundo de meu desespero: Mãe Aninha do céu.

Enquanto pulava igual pipoca no caco, gritava mais ou menos assim: “Ai! Ai! Dê mais não, mãe Aninha do céu!

A cada surra, os vizinhos ouviam a expressão inusitada e isto se transformou num bordão e apelido. Riam de mim enquanto repetiam “Ai, mãe Aninha do céu!” 

Mãe Aninha do céu era algo que eu dizia apenas quando era castigado. Fora isso, chamava-a apenas de mãe Ana.


Hoje, mais do que nunca, vejo quanto foi do céu aquela que tomou conta de mim e de meus irmãos quando mais precisávamos. Se hoje pudesse vê-la, não necessitaria estar com a mangueira à mão para me ouvir chamá-la assim.  

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DADOS DO AUTOR

Gilberto Cardoso dos Santos é filho natural de Cuité, PB e tem cidadania potiguar. Reside em Santa Cruz, RN. É educador, formado em Letras e Mestre em Literatura e Ensino pela UFRN; é um dos fundadores da APOESC e membro da Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel (ANLiC); produz crônicas, contos, cordéis, textos teatrais etc. 




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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Um Homem Também Chora * Fátima Esteves - PT

*Um Homem Também Chora*
Fátima Esteves - PT
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Um homem também chora

Quando mergulho nas brumas da memória, vislumbro lá longe a imagem do meu bisavô, António Martins, mais conhecido como António dos Ovos, sentado na carroça em descanso, na cabana do avô Mário. Sempre de barrete preto na cabeça, a lembrar os pescadores da Nazaré. Neste caso, para proteger do frio a cabeça que o cabelo há muito abandonara.
O meu bisavô viveu num tempo em que a máxima - “Os homens não choram” – condicionava o comportamento da maioria dos homens. No entanto, António dos Ovos chorou, chorou muito no dia em que a bisavó Natividade partiu deste mundo.
Nesse dia e nos que se seguiram, recusou dormir no quarto que ambos partilharam durante décadas e onde nasceram os seus dez filhos, entre os quais o meu avô Mário.
Durante semanas, não saiu da cozinha, onde sentado à mesa com a cabeça apoiada entre as mãos, viveu a dor mais cruel, que lhe escorria pelo rosto e se fazia ouvir, de vez em quando, nos lamentos e suspiros profundos de um coração esmagado pela dor da separação.


Num tempo em que não era suposto um homem chorar, o meu bisavô chorou por amor!

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Dados da Autora

Maria de Fátima Esteves Martins nasceu a 13 de janeiro de 1969, no concelho de Mação, no distrito de Santarém – Portugal.
No início de 2014, começou a participar em concursos literários, têm cerca de duas dezenas de textos publicados em ebooks e em antologias, em Portugal, Espanha e no Brasil. 
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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Herói de Verdade * Waldir Capucci - SP

* Herói de Verdade *

Waldir Capucci - SP
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HERÓI DE VERDADE
                Eu era ainda criança e cursava os primeiros anos de aprendizado quando o conheci. E nossa convivência durou cinco anos naquele prédio, período do início da minha vida escolar. Recordo quando se apresentava na classe e todos ficávamos em pé, e da mesma forma nos portávamos quando se retirava. Ele tinha um diferencial que o tornava mais querido que os demais adultos da escola.
                Sua função? A mais simplória na hierarquia, um mero servente escolar cuja tarefa primordial consistia em varrer o pátio e as salas, mas fazia muito mais. Apartava nossas brigas no recreio e nas ruas, consertava portas e janelas, eliminava goteiras, cortava a grama, cuidava das árvores e fazia todos os reparos elétricos, hidráulicos e mecânicos. Um autêntico super-herói da minha infância, capaz de realizar tarefas complexas superando todos os obstáculos sempre com um sorriso característico.
Cresci e mudei para outra unidade de ensino, fui enfrentar novas etapas do aprendizado e acabamos perdendo contato. Ficou para mim a lembrança do servente amigo e, nas poucas vezes que o encontrei depois, recebi além do abraço o mesmo sorriso marcante como saudação.
                Quis o destino que com o passar dos anos eu me tornasse amigo de seus filhos, elo que permanece ainda hoje. E a amizade me revelou um lado desconhecido daquele senhor. O humilde servente era um militar reformado com participação nos campos de luta da Segunda Guerra Mundial e sobrevivente da batalha de Fornovo di Taro, na Itália. Sim, não era somente herói dos meus tempos de escola primária, era mais do que isso, um dos heróis da pátria, expedicionário da FEB, que por sua bravura recebeu  como prêmio pós-guerra  o nada prestigioso cargo de servente escolar, que exercia com tamanha dignidade.
                Meus olhos passaram a vê-lo sob outra ótica, o respeito cresceu, assim como eu também cresci e as obrigações de adulto provocaram nossa distância por longo período. Casei, tive filhos e netos, trabalhei e morei em outros locais, e nas poucas vezes que retornava para minha cidade os encontros familiares e com amigos ocupavam minha agenda. Fiquei anos sem encontra-lo, até que recebi a notícia de sua morte, aos 98 anos de idade, após longa enfermidade. O último combatente da campanha na Itália que permanecia vivo em minha cidade finalmente fora derrotado. Porém, ao mesmo tempo, viver quase cem anos foi sua derradeira vitória.
                Decorridos vários meses da sua partida pus-me a relembrar algumas passagens do nosso relacionamento. E senti orgulho de ter conhecido um herói real, de carne e osso. O velho servente do meu passado, sem superpoderes fantasiosos, capa, espada ou máscara, tinha como armas uma simples vassoura, um sorriso nos lábios e um coração enorme, e muito mais força e poder que os super-heróis atuais, com seus nomes americanos e japoneses que nem consigo decorar.


                São gostosas e saudosas lembranças que me deixam convicto que já não se fazem ou existem heróis como antigamente.
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Dados do Autor:
Natural de Jacareí/SP, o autor, Waldir Capucci, tem na sua cidade natal e região do Vale do Paraíba as principais fontes de inspiração para seus textos, geralmente com pitadas de humor e doses de saudade. Participa de concursos literários desde 2009, e foi agraciado algumas vezes com seus contos, crônicas e poesias. 
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Crônica Biográfica * Ângela Matos - MG

Crônica Biográfica * Ângela Matos - MG


 Só pra não dizer que não contei de mim: nascida em Jampruca, ou melhor dizer, no distrito do Prata. Interior do interior . Para ser mais precisa, debaixo de uma grande e velha mangueira.
Era tempo de muitas chuvas, dezembro, e sem estrada não tinha como meu pai, o senhor Leandro, passar com seu caminhão Ford cheio de sacas com milho e feijão. 
Sim senhor!
Levava tudo para vender em seu armazém da Praça em Jampruca.
Nesses tempos as mulheres tinham seus filhos com ajuda das parteiras, e nesta viagem minha mãe tinha ido. No entanto as chuvas demoraram e chegou o dia do meu nascimento: aos 09/12/67.
Logo chegando em casa meu pai foi  a Governador Valadares para fazer o registro de nascimento; não me pergunte o porquê. 
Nascer no Prata,  morar em Jampruca e ser registrado em Gv...

Infância tranquila,  típica de interior. Assim como deve ser.
Com muita fogueira, cantiga de roda, missas aos domingos,
namoros também depois  da missa...
Lembro do tempo da escola, dos colegas de caminho e das brigas no recreio.
Foram muitas por motivo  de bullying... os meninos e as meninas cantavam e faziam músicas com versos:
"Zoi de gato
Quarenta e quatro
Vai na missa 
Sem sapato."
Meu irmão mais velho, o Lioclério, várias vezes foi na escola para me defender e lavar a honra da família com socos e chutes na molecada. Assim dizia ele...
A escola ficava num bairro denominado "Vulcão", numa planície cheia de braquiara, com um caminho estreito de chão batido. Escola de latão laranja encardido.
Isto não fazia diferença. Importante era poder ir para a escola. Ainda lembro com saudade da minha doce professora da quarta série, irmã do Seu Tatão, a Nininha.
Sempre carinhosa comigo; foi ali que descobri minha vocação. Queria ensinar!
Naqueles dias a diversão consistia em brincar na rua, ou roubar fruta nos quintais vizinhos e até  mesmo ver TV na casa alheia. Era muito raro televisão em casa.
Já adolescente eu gostava muito de dançar discoteca.E para isto ficávamos ensaiando no bar do armazém do meu pai.Tinha uma vitrola antiga lá.Quando não tinha serviço ou ele se distraía, colocávamos o CD vinil da Dana Summer pra rodar a tarde toda.
Eu e o mauro,meu irmão caçula, ganhávamos todos os concursos de dança no salão da Dejanira.
  Nunca me esqueci da famosa cuba-libre (água, rodelas de limão,vodca,gelo e coca-cola).Naqueles tempos era chique tomar esta bebida. Tudo era mais simples e prazeroso. Era o "must"frequentar aquele ambiente sempre que pai deixava.
Cresci trabalhando e estudando.Tinha que trabalhar no armazém e às 17:30 minutos deveria estar na praça Ana Magalhães,  pois o ônibus do senhor Belques já esperava para levar os estudantes à escola de Ensino Médio em Frei Inocêncio. Jampruca só tinha até ensino Fundamental. Confesso que custei entender a diferença do que era fundamental ou médio. 
Casei -me assim que terminei o Médio.Uma semana depois já estava na igreja
juntamente com mais seis casais, o padre Gino é quem abençoava os casamentos naquele tempo.Tenho até foto com ele.
Meu namorado, arranjei logo no começo do curso, era um colega que cursava o segundo ano na mesma escola em Frei Inocêncio.
Tempo passou muito rápido.Um casamento complicado que durou sete anos, quando por fatalidade de um acidente, fiquei viúva com dois filhos...

Casei- me novamente, dezoito meses depois e tive mais uma filha.
Retomei os estudos e cursei letras na UNIVALE, sonho antigo. Era faculdade, trabalho na escola e compromissos domésticos. Escrevi, editei, lancei livro.Perdi minha filha, também de forma trágica; mas permaneci com meus sonhos.
Me dediquei mais um tempo com educação pública;  e por fim a decepção me levou à exonerar o cargo de professora na rede pública. 
Defini dedicar mais tempo com a família, a cozinha que amo, com os bordados, com as pinturas, o crochê e com a literatura e meus escritos. Resolvi viver um pouco mais, plantar mais flores e cultivar amigos.
Continuo vivendo entre as montanhas que ficam entre Valadares e Teófilo Otoni, sempre que posso dou uma puladinha na minha saudosa e amada Jampruca.
Continuo escrevendo, vivendo e plantando flores...literalmente.



Angela Matos  MG

MiniBio

Ângela Matos é mineira de Jampruca, professora, com Licenciatura Português/Inglês, 12 anos de atuação na EJA e 16 no ensino médio, artesã e poeta. Tem dois livros publicados: Camuflagens do Amor e Devaneios. Foi casada por 7 anos e ficou viúva. Hoje, numa nova relação, é casada há 25 anos, tem 2 filhos casados e sem netos. É amante da natureza e de tudo que amplia o AMOR. WhatsApp (33)84163038. Confira https://www.facebook.com/angela.matos.39948


terça-feira, 13 de junho de 2017

Crônica de Uma Vida * José Estanislau Filho - MG

Crônica de uma vida



Outubro. 1951. Dia 20. Não há registro das horas.
  Consta na certidão, o nascimento de uma criança, pelas mãos de uma parteira, nos grotões da pequena cidade do interior de Minas, São João do Oriente. Entre quatro e seis anos, provavelmente, a família dessa criança mudou-se para outro roçado, no córrego Boleirinha, zona rural de Jampruca, localizada entre o Vale do Rio Doce e Mucuri. A mudança ocorrera, por conta de desavenças políticas. Em Jampruca crescera, entre o roçado e a rua. E o amor ao pé de ingá, onde sempre parava para saborear os frutos e descansar sob suas sombras; entre o trabalho no campo e o lazer com os filhos de companheiros camponeses ou no pequeno distrito, jogando sinuca e futebol; indo ao cinema. Os estudos primários eram, também, uma válvula de escape. De criança a adolescência, tudo passou muito rápido. Aos dezesseis, novamente por conta de desavença política, a família mudou-se para Engenheiro Caldas, mas lá permanecera por curto período: entre 1967 a 1970, quando, novamente mudam de cidade, desta vez, não por desavença política, pois o pai abandonara a contenda, mas por outros motivos, que não veem ao caso e, para não alongar a narrativa. Para onde ia, levava consigo o segredo do evento ocorrido às sombras do pé de ingá. Mudaram-se, então, para Itabirinha. Nesse período, matriculara-se no Ginásio Agrícola de Colatina-ES, em regime de internato. Tempos de ditadura militar; do tri campeonato mundial; do milagre econômico; do "ame-o ou deixei-o"; de "este é um país que vai pra frente". E consigo a lembrança do pé de ingá e do que ali ocorrera...
  Para que a crônica de uma vida não seja prolixa, o autor muda o rumo da prosa, e passa a falar de como a literatura entrou em sua vida. Tudo começou em Jampruca, lendo foto-novelas, quadrinhos e livros de bolso, que os irmãos e uma irmã, traziam das cidades grandes. Depois seguiram-se os clássicos nacionais e estrangeiros. José Alencar, Machado de Assis, Tolstoi, tudo que caía em suas mãos, até conhecer as primeiras bibliotecas e "comer" muitos livros. Das leituras a escrita, foi um pulo. Primeiro com diários, seguidos dos primeiros versos. A literatura descortina o mundo, abre horizontes. Assim, o jovem desbravou florestas; singrou mares; apaixonou-se por capitus e julietas; viu soldados e civis mortos nos front's; revoltou-se com as injustiças, que os livros de história e os romances narravam; buscou entender o sentido da vida com os livros de filosofia e na universidade da vida. Fez greve. Continuava sonhando escrever/revelar o que ocorrera sob as sombras do pé de ingá.
  Inevitavelmente a leitura despertaria a sua consciência política. Em busca de emprego, independência e sobrevivência, foi morar na capital. E do chão da fábrica ao sindicato, foi rápido. Quando a consciência de classe e política de que uma vida plena é um direito de todos se instala, não larga mais. Paralelamente a ação política, escrevia poesias, crônicas e contos. Sedimentava o escritor autodidata.
  Hoje, com vários livros publicados em edições marginais, assiste ao que pensou ser uma página virada na história: a nossa frágil democracia novamente golpeada, desta vez, não pelos militares, mas por uma quadrilha de parlamentares em conluio com a turbamulta. E como a consciência política e social instalou-se definitivamente, continua em ação, para mudar esta realidade.
  E prepara-se para escrever o que deseja ser o seu melhor texto: o evento ocorrido à sombra do pé de ingá.

Publicações:

1 - Nas Águas do Arrudas - poesias - 1984
2 - As Três Estaçoes - poesias - 1987
3 - O Comedor de Livros - poesias - 1991
4 - Crônicas do Cotidiano Popular - 2006
5 - Filhos da Terra - crônicas, contos com fechos poéticas - 2009
6 - Todos os Dias são Úteis - poesias - 2009
7 - Palavras de Amor - poesias - 2011
8 - Crônicas do Amor Virtual e Outros Encontros - 2012
9 - A Moça do Violoncelo (contos) e Estrelas - poesias (dois livros em um).



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